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📧 Ponto de Vista
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A leitura da Alta Vista sobre os mercados
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Por Guilherme Jung, economista-chefe
Semana de 4 a 8 de maio de 2026
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Olá,
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🔎 O Fato da Semana
A semana foi marcada pela volatilidade do conflito no Oriente Médio e seus efeitos em cascata sobre os mercados globais. No início da semana, o Irã atacou instalações dos Emirados Árabes Unidos após os Estados Unidos lançarem a operação “Project Freedom” para escoltar navios pelo Estreito de Ormuz, elevando o petróleo Brent a US$ 114/barril na segunda-feira.
A dinâmica da guerra foi oscilando ao longo dos dias: Trump pausou temporariamente a operação na quarta-feira, sinalizando “grande progresso” nas negociações, o que derrubou o petróleo 7,5% para US$ 101,5/barril. No entanto, na quinta-feira o Irã rejeitou o acordo como “plano irrealista”, e novos ataques foram reportados, fazendo o Brent voltar a US$ 102/barril.
A instabilidade geopolítica segue sendo o principal driver dos mercados globais.
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🌍 O Mundo em Movimento
Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho seguiu resiliente: o relatório ADP mostrou criação de 109 mil vagas em abril, acima das estimativas de 99 mil. O PMI de Serviços (ISM) recuou de 54,0 para 53,6, mas ainda em zona de expansão. O grande destaque da sexta-feira foi o Nonfarm Payroll de abril: criação de 115 mil empregos, acima das expectativas de 65 mil, com taxa de desemprego estável em 4,3%. O resultado reforça o cenário de mercado de trabalho resiliente e inflação pressionada — e consolida a postura do Fed de manter juros estáveis entre 3,50% e 3,75% por período prolongado, sem sinalização de cortes à frente.
Na Europa, as bolsas operaram em queda ao longo da semana pressionadas pela exposição ao encarecimento da energia. Trump ameaçou ainda elevar as tarifas contra a União Europeia caso o bloco não cumpra os termos do acordo comercial firmado em julho passado, adicionando outra fonte de incerteza ao continente.
Na Ásia, a semana foi de contrastes: o Nikkei renovou máximas históricas na quarta-feira (+5,0%), impulsionado por tecnologia e semicondutores, enquanto a AMD disparou +16% no after com guidance forte. A Coreia do Sul também renovou máximas históricas (+6,5%), com a Samsung Electronics subindo 14%. A China seguiu com desempenho misto, reagindo à volatilidade geopolítica global.
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🇧🇷 Brasil: Entre Expectativas e Realidade
O Copom divulgou a ata de sua reunião de 28 e 29 de abril, na qual reduziu a Selic em 0,25 p.p., para 14,50% ao ano. O documento reconhece que a política monetária restritiva está funcionando, mas mantém tom cauteloso, deixando em aberto o ritmo e a extensão dos próximos passos. Em nossa leitura, o Copom ainda contempla cortes adicionais à frente.
No campo macro, a XP revisou suas projeções: câmbio para o final de 2026 passou de R$ 5,30 para R$ 5,00/USD, refletindo o Brasil como “vencedor relativo” do cenário geopolítico. Em contrapartida, o IPCA de 2026 foi elevado de 5,1% para 5,3%, pressionado pelos custos de energia. A projeção para a Selic foi ajustada para 13,75% ao final do ano (antes: 13,50%), com mais três cortes de 0,25 p.p. seguidos de pausa — ritmo mais gradual diante da maior inércia inflacionária.
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💡 Contradição a observar: real em mínima de 2 anos (R$ 4,91) ao mesmo tempo em que a inflação sobe. O canal cambial ajuda no IPCA de 2027, mas o choque de energia domina o curto prazo.
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Na agenda política, o presidente Lula viajou a Washington para seu segundo encontro com Trump, considerado positivo por ambos os lados. Terras raras e mineração foram os principais temas em pauta. A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) foi aprovada na Câmara dos Deputados e segue para o Senado, posicionando o Brasil como alternativa estratégica à dependência chinesa. Na esfera econômica, a produção industrial avançou 0,1% em março e 1,4% no 1T26. A balança comercial de abril registrou o maior superávit para o mês: US$ 10,5 bilhões, impulsionado por exportações de petróleo (+24%), minério de ferro (+20%) e soja (+19%).
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📈 Mercados
Os mercados locais refletiram a montanha-russa do Oriente Médio. O Ibovespa oscilou durante a semana: abriu em queda na segunda (−0,9%, aos 185.600 pts), recuperou nas terça e quarta com o otimismo de um acordo (+0,6% e +0,5%), mas voltou a ceder na quinta após a ruptura das negociações (−2,4%, aos 183.218 pts).
Fechamento semanal (4–8/mai):
| Ibovespa (IBOV) |
−1,71% a 184.108 pts (187.318 → 184.108) |
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| Dólar (USD/BRL) |
−1,35% a R$ 4,8929 (R$ 4,96 → R$ 4,8929) |
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| S&P 500 (SPX) |
+2,34% a 7.398,92 pts (7.230 → 7.398,92) |
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| Petróleo Brent |
−7,67% a US$ 98,575 — recuo ligado à expectativa de cessar-fogo EUA-Irã |
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Destaques na bolsa: positivos — Smart Fit (SMFT3, +11,9%), Ambev (ABEV3, +15,3% na terça), C&A (CEAB3, +6,6%). Negativos — Vamos (VAMO3, −7,3%), TIM (TIMS3, −8,2%), Petrobras (PETR3, −4,2%).
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🧠 O Ponto de Vista da Alta Vista
Choques geopolíticos como o atual criam ruído, não tendência.
O Brasil, paradoxalmente, sai beneficiado neste cenário: exportador de petróleo, soja e minérios, o país é um “vencedor relativo” do conflito. A balança comercial em máxima histórica para abril, o real mais valorizado e a perspectiva de continuidade do ciclo de cortes da Selic formam um panorama construtivo para ativos locais de médio prazo.
O risco não é ignorar a guerra — é reagir a ela emocionalmente, sem estratégia. Carteiras bem diversificadas, com exposição a renda fixa (carrego elevado), setores exportadores e ativos reais, são as que tendem a atravessar melhor esta fase.
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📅 O Que Observar na Próxima Semana
| * CPI e PPI dos EUA (terça e quarta) — inflação de abril; dado decisivo para o Fed |
| * Vendas no varejo EUA (quinta) — termômetro da atividade americana pós-choque |
| * IPCA de abril no Brasil (terça) — XP projeta 0,67% no mês e 4,39% no acumulado 12 meses |
| * Varejo e serviços no Brasil (quarta e sexta) — leitura da atividade doméstica em março |
| * Votação da PNMCE no Senado — posicionamento do Brasil em minerais estratégicos |
| * Temporada de resultados 1T26 — Embraer, bancos e setor elétrico em foco |
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