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📧 Ponto de Vista

A leitura da Alta Vista sobre os mercados

Por Guilherme Jung, economista-chefe

Semana de 7 a 13 de junho de 2026

 

Olá,

🔎 O Fato da Semana

A SpaceX estreou na Nasdaq no maior IPO da história dos EUA — US$ 75 bilhões captados, avaliação de US$ 1,77 trilhão — e fechou o primeiro pregão com alta de 19,3%, a US$ 161,11, tornando Elon Musk o primeiro trilionário do mundo. O movimento reforça o apetite do mercado por narrativas de IA, mesmo com a empresa ainda no vermelho.

SpaceX (SPCX) — primeiro pregão na Nasdaq, alta de 19,3%

SpaceX (SPCX) — fechamento do primeiro pregão na Nasdaq

🌍 O Mundo em Movimento

O macro segue ditando o ritmo dos mercados: a inflação global continua andando na direção errada e o risco de alta nos juros é real. Contudo, Trump afirmou estar próximo de um "grande acordo" com o Irã, com previsão de reabertura do Estreito de Ormuz, e o Brent recuou para abaixo de US$ 90. Apesar do alívio geopolítico, a volatilidade dos mercados globais segue elevada.

Nos Estados Unidos, o CPI acelerou para 4,2% em 12 meses — maior nível em três anos —, puxado quase inteiramente por energia (gasolina +40,5%, óleo combustível +58,9%). O núcleo, no entanto, subiu apenas 0,2% no mês e 2,9% em 12 meses, abaixo do esperado.

Isso tem dois efeitos claros:

— O Fed, sob o novo presidente Kevin Warsh, ganha respaldo para manter os juros estáveis na reunião da semana que vem
— Mas o PPI americano acelerou de 5,7% para 6,5% em 12 meses — a maior alta desde novembro de 2022 —, sinalizando que a pressão de custos pode chegar ao consumidor em breve

Na Europa, o BCE retomou o ciclo de alta, subindo os juros em 0,25 p.p. para 2,25% — a primeira alta desde 2023 — e revisou a projeção de inflação para 3,0% em 2026.

Enquanto isso, na Ásia, o PPI do Japão saltou 6,3% em 12 meses (máxima do ciclo) e o da China subiu 3,9%, terceira aceleração consecutiva — ambos pressionados pelo choque de energia, mesmo com demanda doméstica chinesa ainda fraca.

🇧🇷 Brasil: Entre Expectativas e Realidade

No Brasil, a semana trouxe o IPCA de maio, que veio acima do esperado (0,58% no mês, levando o acumulado em 12 meses a 4,72%).

Houve algum alívio em serviços e em parte dos núcleos, mas isso foi mais do que compensado pela piora em administrados (energia elétrica +3,67%, com bandeira amarela) e pela persistência nos bens industrializados subjacentes, que aceleraram de 3,31% para 3,95% em 12 meses. A difusão ficou em 65%, mostrando pressão espalhada pela cesta. Mantemos projeção de IPCA em 5,5% para 2026, com viés de alta.

IPCA — Inflação ao Consumidor no Brasil

Fonte: IBGE e CMN | Elaboração: Guilherme Jung

Na seara fiscal, o Congresso avançou medidas com impacto estimado em R$ 30 bilhões em 2027 — incluindo renegociação de dívidas rurais, reajuste do piso de médicos e dentistas e nova aposentadoria especial — nenhuma com fonte de financiamento definida. O risco de judicialização no STF já está no radar.

📈 Mercados — Fechamento semanal (13/06/2026)

Principais indicadores da semana:

Ibovespa +0,47% a 171.132,66 pts
Dólar (USD/BRL) −0,03% a R$ 5,0623
S&P 500 −1,41% a 7.431,45 pts
Nasdaq −2,44% a 25.888,84 pts
Ouro (US$/oz) −5,74% a US$ 4.218,97
Bitcoin/USD +4,99% a US$ 64.276,41
Euro/BRL −0,44% a R$ 5,8545
Treasury 10A (yield) +0,13% a 4,483%
Brent −5,2% a US$ 85,77

Vale notar: a forte queda do ouro (−5,74%) e do Nasdaq (−2,44%) na semana sugere realocação de capital saindo de proteção/tech em direção a risco (Bitcoin +4,99%, Ibovespa +0,47%), em linha com o alívio geopolítico do petróleo.

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🧠 O Ponto de Vista da Alta Vista

O acordo no Oriente Médio resolveria o sintoma — o preço do petróleo —, mas não resolve a causa: inflação de serviços ainda rodando perto de 6% no Brasil, núcleos pressionados nos EUA, e bancos centrais ao redor do mundo voltando a discutir alta de juros, não corte. Para o Copom desta semana, o mercado precifica 49% de chance de corte de 0,25 p.p. (para 14,25%) e 44% de manutenção em 14,50% — uma divisão que reflete justamente essa tensão entre inflação ainda alta e espaço cada vez mais estreito para o ciclo de cortes continuar.

Disciplina, diversificação e foco no longo prazo continuam sendo o que separa quem aproveita a volatilidade de quem é capturado por ela.

Esse é o momento em que quem busca alfa (retornos acima da média) aproveita, e muito, as assimetrias do mercado, e quem não toma risco (incerteza) aceita o Beta (retorno médio de mercado).

📅 O Que Observar na Próxima Semana

* Copom (Qua) — mercado dividido entre corte de 0,25 p.p. (49%) e manutenção (44%) da Selic
* FOMC (Qua) nos EUA, BoE no Reino Unido e BoJ no Japão — todos decidindo juros na mesma semana
* IBC-Br e Pesquisa Mensal do Comércio no Brasil (dados de abril)
* Dados de atividade da China (varejo, produção industrial, investimento)

Com Fed, BCE, BoJ e Copom todos em movimento, a volatilidade no câmbio e nos juros globais deve continuar no radar.

Probabilidades de Referência — opções de Copom para reunião de 17/06

Probabilidades de Referência em 12/06 (Opções de Copom para reunião de 17/06)

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