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📧 Ponto de Vista
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A leitura da Alta Vista sobre os mercados
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Por Guilherme Jung, economista-chefe
Semana de 19 a 22 de maio de 2026
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Olá,
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🔎 O Fato da Semana
Os juros globais de longo prazo voltaram ao centro das atenções esta semana. Nos Estados Unidos, o rendimento do Treasury de 30 anos atingiu o maior patamar desde a crise financeira de 2007, enquanto os juros longos de Alemanha, França, Canadá e Japão também registraram máximas de 12 meses ou históricas.
O gatilho é conhecido: a tensão no Oriente Médio segue sem resolução definitiva, mantendo o preço do petróleo elevado — o Brent oscila em torno de US$ 100 por barril — e alimentando o temor de que a inflação permaneça resistente por mais tempo.
Esse cenário reacende o debate sobre juros mais altos por mais tempo. A ata do Fed divulgada nesta semana mostrou um comitê inclinado ao aperto: a maioria dos membros sinalizou que novos aumentos podem ser necessários caso a inflação não recue. Com o CPI americano de abril em 3,8% e o PPI em 6,0% — ambos acima das expectativas — o mercado já precifica probabilidade superior a 80% de alta de juros nos EUA até o fim do ano.
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🌍 O Mundo em Movimento
Nos Estados Unidos, a combinação de inflação acima da meta e atividade resiliente reforçou a postura restritiva do Fed — e a semana trouxe uma virada histórica na instituição: Kevin Warsh foi empossado nesta sexta-feira como novo presidente do Federal Reserve, substituindo Jerome Powell, cujo mandato se encerrou em 15 de maio.
Indicado por Trump com a expectativa de cortes de juros, Warsh herda um Fed com inflação persistente, ata restritiva e mercado precificando mais de 80% de probabilidade de alta de juros até o fim do ano. Em seus primeiros discursos, afirmou que liderará um "Fed orientado a reformas" e que não aceitará ordens da Casa Branca — sinalizando que a independência institucional seguirá sendo testada.
Isso tem dois efeitos claros:
| — Pressão adicional sobre os rendimentos dos Treasuries, que testaram máximas de décadas |
| — Rotação de fluxo internacional de países emergentes para ativos americanos de tech e IA |
Na Europa, o PMI composto da zona do euro caiu de 48,8 para 47,5 em maio — o menor nível desde outubro de 2023 —, combinando enfraquecimento da atividade com custos ainda pressionados pelo conflito no Irã.
Enquanto isso, na China, o banco central manteve as taxas de referência estáveis pelo 12º mês consecutivo. Os dados de abril mostraram deterioração na margem: queda dos preços de imóveis, produção industrial desacelerando e varejo com o pior resultado desde 2022.
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🇧🇷 Brasil: Entre Expectativas e Realidade
No Brasil, a semana trouxe dados que confirmam uma economia mais forte no início do ano. O IBC-Br aponta crescimento de 1,3% no 1º trimestre de 2026, e a XP estima que o PIB avançou 1,1% no período frente ao trimestre anterior — resultado acima das projeções de três meses atrás.
Do lado fiscal, a arrecadação federal de abril superou expectativas com R$ 278,8 bilhões e alta real de 7,8%. O segundo relatório bimestral trouxe bloqueio de despesas de R$ 22,1 bilhões, acima do esperado, concentrado em BPC/LOAS e benefícios previdenciários. A XP projeta déficit primário de 0,4% do PIB em 2026 e não vê necessidade de novos bloqueios ao longo do ano.
No entanto, a pressão inflacionária vinda do petróleo levou a XP a revisar a projeção de Selic para 13,75% no final do ano.
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📈 Mercados
Os mercados reagiram com cautela ao ambiente global mais incerto. O Ibovespa acumulou mais uma semana negativa — a sexta consecutiva — pressionado pela saída de capital estrangeiro, pela queda nas commodities e pelo cenário eleitoral que voltou ao radar.
Principais indicadores da semana (19–22/mai):
| Ibovespa |
−0,82% a 176.210 pts |
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| S&P 500 |
−0,12% a 7.477 pts |
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| Dólar (USD/BRL) |
+0,40% a R$ 5,01 |
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A curva de juros abriu nos vértices mais longos, acompanhando o movimento dos Treasuries americanos.
A rotação global do fluxo estrangeiro em direção a tech e IA — favorecendo bolsas americanas e emergentes asiáticos como Taiwan e Coreia — segue pesando fortemente sobre a B3. Em abril, o fluxo estrangeiro no mercado à vista foi de apenas R$ 3,2 bilhões positivo, mas maio já acumula saída de R$ 3,6 bilhões no caixa. No acumulado do ano, o saldo ainda é positivo em R$ 53,5 bilhões — mas a reversão de tendência recente é um sinal de atenção para o mercado doméstico.
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🧠 O Ponto de Vista da Alta Vista
Mercados são cíclicos por natureza.
A abertura dos juros longos globais não é uma novidade isolada: é a consequência direta de um conflito geopolítico que ainda não tem data de resolução e que mantém o petróleo elevado, pressionando a desinflação em diversas economias. Para o Brasil, o risco não é interno — a economia cresce, o fiscal melhora na margem e o Banco Central tem espaço para cortar. O risco vem de fora.
Ciclos mudam. Políticas mudam. E os mercados se ajustam.
Investidores disciplinados sabem que momentos de incerteza exigem estratégia — não reação. Diversificação, visão de longo prazo e adequação ao perfil de risco continuam sendo os melhores antídotos contra a volatilidade.
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📅 O Que Observar na Próxima Semana
| * PIB do 1º trimestre de 2026 pelo IBGE (sexta-feira) |
| * IPCA-15 de maio — expectativa de alívio em combustíveis, mas alta em alimentos e serviços |
| * Core PCE de abril nos EUA — termômetro da inflação para o Fed |
| * Caged e PNAD Contínua de abril — mercado de trabalho brasileiro |
A divulgação do PIB e do IPCA-15 serão os principais fatores domésticos a definir o tom da Selic nos próximos meses.
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