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Alta Vista Investimentos
Ponto de Vista

A leitura da Alta Vista sobre os mercados

Por Guilherme Jung, economista-chefe

Semana de 23 a 27 de março de 2026

 

Olá,

O Fato da Semana

Os mercados encerraram a semana tentando digerir uma combinação indigesta: IPCA-15 acima do esperado, petróleo persistentemente elevado e um conflito no Oriente Médio que ainda não tem data para acabar.

O resultado foi direto: a XP revisou sua projeção para o IPCA de 2026 de 3,8% para 4,5%, assumindo Brent médio de US$ 80/barril. E o espaço do Copom para continuar cortando juros em 50 bps ficou mais estreito — o risco de reduzir para 25 bps em abril é real.

O que a semana deixou claro é que a geopolítica deixou de ser ruído de fundo. Ela está dentro dos modelos de inflação agora.

O Mundo em Movimento

Nos Estados Unidos, o PMI composto de março recuou para 51,4, com o setor de serviços sendo o mais afetado pelas pressões inflacionárias ligadas ao conflito.

Isso tem dois efeitos claros:

* o Fed perde espaço para cortar — inflação subindo com atividade em desaceleração
* o custo de capital global segue elevado, pressionando emergentes

Na Europa, as bolsas devolveram boa parte dos ganhos da semana anterior, com mineração e tecnologia liderando as perdas. Enquanto isso, a China conseguiu segurar melhor o impacto, fechando com leve alta, beneficiada pelo recuo momentâneo do petróleo em meados da semana.

Brasil: Entre Expectativas e Realidade

No Brasil, o Copom cortou a Selic em 25 bps para 14,75% ao ano — e a ata sinalizou que o ritmo e a duração do ciclo dependem do cenário, especialmente do conflito no Oriente Médio.

A inflação complica esse caminho. O IPCA-15 de março surpreendeu para cima, puxado por passagens aéreas e alimentos, e ainda não captura os efeitos do petróleo. Com câmbio em torno de R$ 5,24 e Brent acima de US$ 100 durante boa parte da semana, o repasse aos preços é questão de tempo.

A arrecadação federal de fevereiro veio forte (+5,7% real), refletindo a resiliência da atividade — mas o fiscal segue apertado, com bloqueio de R$ 1,6 bilhão anunciado.

Mercados

Os mercados reagiram com cautela ao ambiente global mais incerto.

Principais indicadores da semana:

Ibovespa (semana)
+3,03% aos 181.557 pts
S&P 500 (semana)
-2,12% aos 6.368,74 pts
Dólar (semana)
-1,30% aos R$ 5,2449
Curva de juros
Abertura relevante — DI jan/29 subiu +27 bps em um único pregão

Brava Energia liderou os ganhos com o petróleo elevado; Braskem foi o destaque negativo aguardando resultados.

O Ponto de Vista da Alta Vista

Mercados são cíclicos por natureza.

Conflitos geopolíticos criam ruído intenso no curto prazo — mas raramente alteram os fundamentos de uma carteira bem montada. Petróleo mais caro gera inflação, que pressiona juros, que desacelera atividade. Esse ciclo é conhecido. O que importa é saber em qual ponto dele você está — e agir com estratégia, não com reação.

Ciclos mudam.

Políticas mudam.

E os mercados se ajustam.

A consistência segue ligada a uma alocação disciplinada, diversificada e alinhada ao longo prazo.

O Que Observar na Próxima Semana

* Segunda: IGP-M de março, Boletim Focus e discurso de Powell (Fed)
* Terça: IPC da Zona do Euro, dados fiscais do Brasil e CAGED de fevereiro
* Quarta: PMI Industrial do Brasil e dos EUA, ISM manufatura e Payroll privado ADP
* Quinta: Produção industrial brasileira, pedidos de seguro-desemprego nos EUA e balança comercial americana
* Sexta-Feira Santa — feriado no Brasil e nos EUA (Payroll de março será divulgado mesmo assim)

O Payroll de março, com projeção de -92 mil vagas, pode ser o dado mais relevante da semana — se confirmar deterioração do mercado de trabalho americano, muda o tom do Fed.

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Em um ambiente mais complexo, interpretar o cenário e transformar informação em estratégia é essencial.

Na Alta Vista, acompanhamos os mercados diariamente para ajudar nossos clientes a construir e preservar patrimônio com visão de longo prazo.

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Equipe Alta Vista Investimentos

Alta Vista Investimentos - Assessoria de Investimentos.