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Alta Vista Investimentos
📧 Ponto de Vista

A leitura da Alta Vista sobre os mercados

Por Guilherme Jung, economista-chefe

Semana de 22 a 26 de junho de 2026

 

Olá,

🔎 O Fato da Semana

A semana teve dois eixos: alívio geopolítico e turbulência em tecnologia. A assinatura do memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irã derrubou o petróleo mais de 12% na semana — o barril Brent fechou a US$ 73, praticamente no patamar pré-conflito. Mas a forte correção em semicondutores e inteligência artificial gerou volatilidade expressiva, com a bolsa da Coreia do Sul despencando quase 10% em um único pregão.

No Brasil, o Banco Central reforçou o cenário mais adverso para a inflação — sem sinalizar os próximos passos. O ciclo de cortes de juros segue restrito, mesmo com uma inflação mais leve em junho.

🌍 O Mundo em Movimento

Nos Estados Unidos, o índice de inflação preferido do banco central americano (PCE) chegou a 4,1% ao ano em maio, maior leitura desde 2023. O núcleo, que exclui alimentos e energia, ficou em 3,4%, acima do esperado. Apesar disso, o consumo das famílias surpreendeu positivamente, sustentado por restituições de impostos e valorização das ações.

Isso tem dois efeitos claros:

— O banco central americano (Federal Reserve) permanece restritivo — sem cortes de juros à vista em 2026
— O custo de capital global segue elevado, pressionando países emergentes como o Brasil

No Reino Unido, a semana acumulou dois choques: o índice de atividade do setor de serviços caiu para 48,7 — indicando contração pela primeira vez desde 2025 —, e o primeiro-ministro Keir Starmer renunciou, pressionado por derrotas eleitorais e pela ascensão do partido populista Reform UK, de Nigel Farage. Será o sétimo premiê britânico em uma década. Na Ásia, a China manteve suas taxas de juros pelo 13º mês consecutivo. O problema por lá não é falta de dinheiro — é ausência de demanda, num cenário de crise imobiliária prolongada.

🇧🇷 Brasil: Entre Expectativas e Realidade

No Brasil, a Ata do Copom era esperada pelos agentes de mercado devido a falta de clareza da última decisão, que cortou a Selic mesmo elevando as projeções de inflação. O documento descreveu um cenário mais adverso para a inflação, com atividade econômica acelerada, expectativas acima da meta e desequilíbrio de riscos para cima. Além disso, sinalizou que o ciclo de cortes de juros será não-linear com pausas e retomadas.

A boa notícia veio do IBGE: o índice de inflação de meio de mês (IPCA-15) de junho veio em 0,41% — abaixo do esperado —, com alívio em transportes e alimentos.

📈 Mercados — Fechamento semanal (26/06/2026)

A semana mostrou uma divisão clara: o Brasil se destacou positivamente pelo alívio na curva de juros, enquanto o mercado americano — especialmente o setor de tecnologia — sofreu realização de lucros expressiva. O petróleo voltando ao nível pré-conflito foi o pano de fundo que sustentou o bom humor local.

Principais indicadores da semana:

Ibovespa +2,98% a 173.295 pts
Dólar (USD/BRL) +0,18% a R$ 5,169
S&P 500 −1,78% a 7.354 pts
Nasdaq −4,21% a 25.297 pts
Ouro (US$/oz) −1,77% a US$ 4.071
Bitcoin/USD −5,11% a US$ 59.706
Juros EUA 10 anos −2,13% a 4,374%
Petróleo Brent −2,33% a US$ 72,795/barril
IFIX +0,18% a 3.806 pts

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🧠 O Ponto de Vista da Alta Vista

Petróleo caindo não resolve o núcleo da inflação americana. IPCA-15 melhor não elimina os riscos identificados pelo Banco Central. E premier que cai não muda o fundamento da economia britânica. A semana foi um lembrete de que cenário se lê no conjunto — não manchete a manchete.

Nossa projeção para a inflação de 2026 no Brasil permanece acima de 5,2%, podendo aliviar caso o petróleo se estabilize em torno de US$ 75 e o El Niño seja mais brando que o esperado. Para a próxima reunião do Copom esperamos uma manutenção da Selic em 14,25% a.a.

Disciplina e estratégia continuam sendo a melhor resposta ao ruído.

📅 O Que Observar na Próxima Semana

* EUA: relatório de empregos (Nonfarm Payroll) de junho — termômetro do mercado de trabalho americano
* Zona do Euro: inflação preliminar de junho
* Principais economias: índices de atividade empresarial (PMI) de junho
* Brasil: geração de empregos formais (Caged), produção industrial de maio, resultado fiscal do governo e estatísticas de crédito do Banco Central

Semana densa de dados — qualquer surpresa no emprego americano ou nos números fiscais brasileiros pode mexer com os juros e o câmbio.

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